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Nuvem Vitória

Já há muito tempo que me queria envolver a sério com uma iniciativa de voluntariado, e quando vi por mero acaso o anúncio de que o projecto Nuvem Vitória estava a chegar ao Garcia da Orta, não hesitei (já agora, o anúncio foi no Facebook, o que me faz ter ainda uma réstia de fé na utilidade das redes sociais).

Nunca tinha ouvido falar da Nuvem, mas foi um match instantâneo, pois é não só algo que adoro fazer (ler histórias), quanto é também num contexto em que infelizmente já me encontrei com a minha filha (internamento pediátrico), e portanto sei na pele da importância da existência de momentos que distraiam e transportem a mente das crianças (e dos pais/cuidadores) para outros lugares.

Tivemos uma formação de dois dias e meio bastante intensa e enriquecedora a vários níveis; na partilha da missão pelos fundadores, nas histórias e na arte de contá-las pelas formadoras, na vontade de dar um bocado de si, de toda a gente em geral.

Hoje aconteceu a primeira acção no HGO, na sexta tenho a minha primeira acção marcada, mas apenas como suplente, a dia 15 de Novembro será a estreia “a doer”, e estou receoso, mas muito, muito entusiasmado.

Vitória, vitória, que comece a história.

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Cinemadas

Joker

Não tinha expectativas nenhumas sobre este filme quando ouvi falar da sua produção, o que só tornou melhor a experiência de ver o resultado final; assim de repente a DC lança da cartola um filme que demonstra que afinal ainda é possível fazer bom cinema com o universo dos super-heróis e da banda desenhada.

Não me levem a mal; comi os últimos filmes todos da Marvel e desfrutei, gosto de um bom filme-pipoca também… mas aquela merda é toda sempre igual, é muito óbvio que perceberam que a fórmula dá dinheiro e vão repeti-la até à exaustão, não os censuro.

Aqui a história foi outra; isto é quase um filme de autor, sem aparentes pretensões de ser incluído em sequelas megalómanas de universos grandiosos, é simples, é arriscado, provoca emoções fortes, dá que pensar… é um filme a sério, com uma interpretação e uma entrega absurdas por parte do protagonista, com várias leituras e questões em aberto, uma atmosfera carregada, intensa, suja, uma série de combinações que muito dificilmente não deixam uma marca forte no espectador.

Poupem a questão de nomear outras pessoas para aquela estatueta dourada e entreguem-na já ao Joaquin.

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Teatradas

Intimidade Indecente

Dois actores enormes, um texto à altura e um sofá, é o quanto basta para termos uma incrível peça de teatro.

Intimidade Indecente é, enquadrando de forma redutora, uma comédia romântica em que acompanhamos a trajectória de um casal (Vera Holtz e Marcos Caruso) que se separa aos 50 anos de idade, e a partir daí vamos acompanhando o envelhecimento e os desencontros de ambos mais ou menos década a década, alternando entre momentos absolutamente hilariantes e outros que puxam a outro tipo de emoções.

Esse envelhecimento não é feito com os recursos de maquilhagem e de computação gráfica que facilitam a coisa no cinema; sem sequer saírem de cena e trocarem de figurino, eles fazem-no simplesmente com a postura do corpo, a alteração da voz e do comportamento. Fácil de tentar, muito difícil de fazer com a mestria com que eles o conseguem.

Já não vão muito a tempo de desfrutarem dela em Lisboa (termina segunda-feira dia 4), mas o pessoal do Porto que aproveite, que vale muito, muito a pena.

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