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Saga da Hérnia Discal

E eis que aos 30 anos submeti-me à minha terceira cirurgia. Se as duas anteriores foram na garganta, desta vez o buraco foi mais abaixo: uma discectomia na coluna lombar.

Há cerca de um ano que andava bastante coxo e com dores na perna direita. Começou por parecer só uma impressão e um esticão, foi evoluindo para algo que me limitava imenso a locomoção, e culminou numa crise há cerca de dois meses atrás em que não conseguia me mexer, de todo. Três dias nesse estado, entupido de anti-inflamatórios, analgésicos e relaxantes musculares, via oral e injecção intra-muscular.

O problema em si foi detectado rapidamente, logo na fase inicial. Na primeira consulta que tive com um Neuro-Cirurgião, ele requisitou uma ressonância magnética, onde se podia ver claramente a tal da p*** da hérnia discal.

Trocando por miúdos, entre as vértebras da coluna temos os discos, que funcionam como amortecedores do impacto que sofremos no dia a dia. Por vezes parte do “material” desses discos sai do sítio e invade o canal vertebral, onde pode comprimir as raízes nervosas e causar dor. No meu caso essa brincadeira aconteceu entre as vértebras L4 e L5 e apertava-me o nervo ciático, e daí a dor irradiar pela perna inteira.

As hérnias podem acontecer por diversos motivos, sendo difícil identificar com exactidão o culpado: más posturas, excesso de peso, esforço a mais… acredito que no meu caso se deva à quantidade de tempo que passo sentado, e que o problema não seja recente, tendo agravado ao longo do tempo. Já há alguns anos que sinto dores na região lombar, e talvez tenha passado despercebido por ter praticado natação (fortalece a região, sem causar impacto) durante este tempo.

Este neuro-cirurgião recomendou-me logo partir para a cirurgia, mas por precaução e cagaço, fui ouvir uma segunda opinião e experimentei tentar resolver a coisa através de fisioterapia, além de retomar a natação. Pelo meio ainda tentei ser todo dobrado por um osteopeata.

Senti algum alívio gradual nesse período (3/4 meses de fisio) e até passei cerca de uma semana sem dor, até que me apercebi que o problema estava só adormecido, e acordou de rompante na tal crise de que falei acima.

Posto isto, fui atrás de uma terceira opinião, que felizmente obtive através de um hospital público (SNS a funcionar!) e com um médico que me transmitiu a confiança necessária para partir então para a operação: Dr. Ding Zhang, do Hospital Egas Moniz.

Apesar de jovem (tem a minha idade), senti que de todos os neuro-cirurgiões com quem falei, foi quem soube explicar-me melhor o problema, o procedimento e os riscos.

Assim sendo, no dia 28 de Março pela manhã, apresentei-me no hospital, puseram-me a dormir (anestesia geral for the win) e acordei com um andar novo. O alívio na perna foi notório e imediato. A operação em si, que basicamente consiste em retirar o fragmento de disco que está a chatear, não é o bicho de sete cabeças que normalmente associamos às cirurgias na coluna; é minimamente invasiva, o tamanho da incisão não é nada de especial, podemos sair do hospital no próprio dia e pelo nosso pé (foi o meu caso) e fazemos a recuperação em casa.

Apesar de feita no conforto do lar e de no meu caso ter uma esposa “enfermeira” simplesmente maravilhosa que até as miudezas me lava, a recuperação é mesmo a parte chata da história. É um mês em que o tempo em que estamos sentados é limitado ao máximo, ou seja, ou estamos deitados ou em pé, de preferência a andar,o máximo que consigamos (gradualmente) para facilitar a recuperação.

Não nos podemos dobrar e temos que virar a parte superior do corpo como um todo, estando o tempo todo direitinhos como um poste de iluminação.

Faz esta terça duas semanas que lá estive, e julgo estar a correr bem, tirando um desmaio marado na primeira noite, provavelmente efeito da anestesia. Já me mexo bastante melhor, principalmente depois de ter tirado os pontos (agrafos) e, como disse acima, a perna parece nova. É cedo ainda para deitar foguetes, pois não vou nem a meio, e há sempre o risco de haver reincidência. Mas cá estarei para contar como foi.

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2016

Bom dia, ano novo! Obrigado por me relembrares que preciso tirar o pó a este blog.

O ano que te antecedeu foi atribulado, mas muito interessante. Não escrevi aqui sobre tudo o que aconteceu, por isso faz ainda mais sentido manter esta tradição de resumi-lo.

Como todos desde 2014, ele começou com mais um aniversário da primogénita, no caso o terceiro. Ela está cada vez mais crescida em tudo, nas conversas, nas brincadeiras e na personalidade. Uma fase difícil, mas espectacular. Passou a ser caixa de óculos, como o pai, e adaptou-se bem melhor do que esperava.

Conhecemos um pedaço do arquipélago português que nos faltava, em Maio. Apesar de termos tido o nosso primeiro acidente de carro “a sério” por lá, foi uma viagem espectacular, com os miúdos a demonstrarem mais uma vez serem uns viajantes natos.

Logo em seguida, o mais novo completou o seu primeiro aniversário, e a cada dia que passa nos surpreende mais. Sempre ligado à corrente, fala pelos cotovelos, come este mundo e o outro, é o maior.

Profissionalmente, foi também um ano em cheio. Continuamos em crescimento contínuo na Sky, sendo neste momento mais de 100 pessoas aqui em Lisboa. Assumi o desafio de liderar uma equipa, facilitado por se tratar de uma bastante forte e em sintonia. Também ajuda ter um nome brutal: the Inglourious Basterds.

Desfiz-me do meu fiel companheiro, o leão da estrada, o meu Peugeot 308, que tanto caminhou a nosso lado. Passamos grandes momentos juntos (foi nele que arrancamos para os dois partos), mas além da idade avançar, não nos fazia sentido neste momento ter dois carros; aproveitamos para reduzir a pegada ecológica e aumentar as poupanças financeiras.

O aspecto menos positivo do ano foi ter abrandado no exercício físico e andar limitado por uma hérnia discal (L4-L5), sendo que um médico deu-me indicação de cirurgia, outro de fisioterapia; estou a tentar a última, a ver no que dá. Esperemos pelos próximos episódios.

Terminamos o ano sendo pais pela terceira vez, mas desta por adopção, de um canídeo, de seu nome Slimani de Oliveira Cardoso. É algo que já tínhamos pensado fazer diversas vezes, mas por um motivo ou por outro não avançávamos, até agora, em que ele caiu-nos no colo e nós aproveitamos.

Venha 2017 com tudo, ao lado desta família alargada e celebrando 10 anos ao lado da mulher que amo!

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2015

Bom dia, ano novo! Queres saber como foi o teu antecessor?

Obviamente, não há acontecimento que sequer chegue perto daquele que teve lugar a 22 de Maio, quando passei de pai a pai de dois. Juntar o Francisco à Carolina trouxe-nos mais algum trabalho, mas tornou a nossa jornada ainda mais fascinante e enriquecedora.

São os filhos que eu queria ter, ao lado da mulher que tornou isso possível. 2015 simboliza estar 5 anos casado com uma mulher maravilhosa, e a cada ano que passa estou mais grato por isso.

Com o reboliço das crianças decidimos que este ano seria calmo a nível de viagens, mas tivemos uma recaída e não levamos muito tempo até enfiar pela primeira vez o mais novo num avião, rumo à nossa ilha da Madeira, onde é sempre muito especial regressar.

Terminei o ano com um estranho déjà vu, sendo operado novamente à garganta, mas confio que desta seja de vez. O ponto positivo é que com essa brincadeira 4kg sumiram do meu corpo, agora é tentar recuperá-los com uma massa mais consistente.

Voltei a empolgar-me com o meu Sporting e, mais surpreendentemente, voltei até a ser sócio, coisa que se me dissessem há dois anos atrás que faria, provavelmente responderia que nunca. Mas ser sempre coerente não tem graça nenhuma.

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Saga das Amígdalas – Mini-Sequela

Seis anos depois de arrancar as amígdalas, os posts relacionados com essa Saga continuam a ser, de longe, os mais populares e comentados aqui do blog.

De certa forma fico feliz em saber que outros sofredores conseguem encontrar algum conforto por aqui, e assim sendo não podia deixar de publicar mais um pequeno episódio relacionado com essa verdadeira zona de guerra que é a minha garganta.

Há cerca de dois anos atrás, ainda na Irlanda, senti um estranho inchaço do lado esquerdo da garganta. Ao espreitar pelo espelho, com a ajuda de uma lanterna, vi que tinha aparecido uma pequena bola branca, mais ou menos no mesmo sítio onde estava a amígdala.

O meu primeiro pensamento foi: PQP C******* F*******, A FDP DA AMÍGDALA VOLTOU DO ALÉM PARA ME ASSOMBRAR!

Mais calmo, fiz uns números de contorcionismo e consegui tirar uma foto para enviar ao otorrino, que me disse que não gostava muito do que via, mas o mais provável é que fosse apenas um quisto. Se tiverem muita curiosidade e estômago, podem clicar na imagem abaixo para ver a coisa.

lion

Fui ter com ele assim que pude ao Hospital, onde drenou o bicho com uma seringa e enviou para análise, para tentar perceber se era efectivamente um quisto inócuo ou algo maligno. Felizmente era a primeira hipótese. Pelo meio a enfermeira que estava ajudando ainda se picou acidentalmente com a agulha que ele usou, e tive que lá voltar para ser testado e deixá-la descansada quanto ao que de mal pudesse haver no meu sangue. Só acusou o Sportinguismo agudo.

Se não o sentisse nem incomodasse, o quisto podia ser algo que deixávamos ficar por lá, sem problemas. Mas sentia, e volta e meia inflamava e complicava e voltava a história de tomar antibióticos com regularidade e tudo o mais. Assim sendo, partimos para um sai que esse corpo não te pertence, com mais uma espécie de amigdalectomia…

E aqui estou, seis anos depois, passando mais uma semana a moles e frios, chupando calippos como se não houvesse amanhã.

Está sendo bastante mais suportável que a primeira vez; é só de um lado, e em vez de dois monstros que andavam lá a apodrecer há mais de vinte anos, era só uma bolinha. Ainda assim, tive uns primeiros dias bastante dolorosos, que me fizeram mais uma vez desesperar de fome.

Gelatina continua a ser a melhor coisa do mundo nesta altura, mas há algumas coisas novas que decidi experimentar depois do choque inicial e que correram muito bem:
– Ovos mexidos: frios e sem tempero, com uma pitada de leite para ficarem mais cremosos, tem sido a alegria das minhas manhãs
– Papaia / Manga: bem madurinhas, no frigorífico, deslizam que é uma beleza
– Noodles (miojo): apesar de frios e sem molho, também escorregam muito bem e sempre enchem mais um pouco a barriga

E assim segue, sonhando com a hora em que tudo isto passe e tenha a oportunidade de comer um gigantesco e suculento bife.

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2014

“Boa sorte em me surpreender 2014, conto contigo”. Foi assim que terminei o meu primeiro post de 2013, há exatamente um ano atrás. E não é que o sacana me surpreendeu mesmo?

Todos os anos agora começam com um aniversário da minha filha. Em 2014 foi o primeiro; foi e acredito que sempre será uma celebração maravilhosa, e deu origem a um dos posts mais emotivos que já escrevi.

Uns meses mais tarde, em Abril, outro tremendo impacto foi regressar ao Brasil, ainda mais marcante por ter sido na companhia das minhas amadas. Me aqueceu, me emocionou e me fez repensar muito coisa, a maior delas o próprio local onde eu estava.

A Irlanda me tratou muito bem, mas não fui concebido para o seu clima. Em Setembro estávamos de volta a Portugal. Mais ou menos por essa altura, e porque a primeira vez saiu tão bem, partimos para o fabrico de outra obra de arte

Vem com tudo, 2015!

PS: Pelo quinto ano consecutivo, o que neste contexto significa desde sempre, a saga da amígdala, continua sendo o meu post mais popular (1775 visitas). Consolai-vos, gargantas sofredoras do mundo lusófono, vocês não estão sós!

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2013

2013 foi de longe o ano mais marcante da minha vida, e será sempre lembrado com uma tremenda nostalgia.

Começou com o nascimento da Carolina, o que por si só já deixava todos os restantes anos no chão, pedindo arrego.

Prosseguiu com a vinda para a Irlanda, com tudo o que de positivo e de difícil que uma mudança de vida dessas acarreta.

Terminou me fazendo perceber o quanto ainda tenho a aprender e a crescer com a vida, e me levando a agradecer diariamente o muito que já tenho conseguido tirar dela.

Boa sorte em me surpreender, 2014, conto contigo.

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10 Meses

A Carolina by Sérgio Godinho on Grooveshark
Dez. Os meses vão se sucedendo a um ritmo impressionante, só suplantado agora pelo próprio ritmo dela, em tudo que faz, desde que acorda até que (a custo) adormece.

O gatinhar dela passou de tímido a frenético. Quer estar em todo o lado da casa ao mesmo tempo, ver tudo, explorar cada recanto, cada buraco, com especial queda para os que não deve. Pretere os brinquedos em favor de tudo o que não seja brinquedo e a que consiga deitar a mão. Adora folhear livros, o que espero que se mantenha.

Os único elementos que não acompanham a velocidade dela são os dentes, que teimam em ficar ali chateando sem rebentar. De qualquer forma, não podemos comer nada sem que ela prove, e não consegue provar nada sem gostar.

Já compensava sobremaneira o trabalho que dá, mas arranjou este mês uma arma ainda mais poderosa: o beijo. Nunca pensei que fosse possível ficar tão emocionado com algo tão simples e tão cheio de baba. É algo com poder para fazer desabar os glaciares do Alaska.

Já tem discernimento suficiente para reclamar e não me beijar se estou de barba, me levando a fazê-la com mais frequência. Já sabe portanto manipular o papai. Começa cedo a ser mulher.

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3 Anos

3 anos voaram desde que oficializamos no papel a união das nossas vidas.

Sem ela já não era eu e ainda não éramos três, portanto venham mais três, e pelo menos mais trinta.

E convenhamos: sem ela era muito, mas muito mais difícil aguentar este frio irlandês…

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Porque me calo

Mais de uma pessoa já me perguntou porque é que não escrevo sobre a empresa onde estou no momento, visto ela ser fértil em assuntos interessantes, e muitas vezes polémicos. A resposta é simples: porque não posso. Estou contratualmente proibido.

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