Andanças

Parque Biológico da Serra da Lousã

A Lousã tem muito mais que se lhe diga, mas estivemos lá na primeira semana deste ano principalmente pelo seu Parque Biológico, em Miranda do Corvo.

Não conseguimos ver os animais todos, porque o espaço está a passar por algumas obras de renovação, mas chegou para ser uma experiência excelente para todos, especialmente para os pequenos, que adoraram o contacto com os animais e com a natureza.

O parque possui uma quantidade considerável de bichos em espaço livre (delimitado, obviamente), nomeadamente linces, lobos, dois ursos pardos, veados, javalis, cabras… sendo que com estas últimas podemos ter efectivo contacto directo e levar comida fornecida na entrada para comerem das nossas mãos.

Ficamos hospedados no Hotel Parque, que como o nome indica fica mesmo em frente e está relacionado com este. Impecável em todos os aspectos, com zonas de relax puro e muita coisa para a criançada se entreter, e um preço bastante razoável para a qualidade.

No restaurante Museu da Chanfana, que também é gerido pelo hotel, desfrutei da bela especialidade da casa; aqui falo no singular, porque fui o único lambão que apreciei aquele forte sabor a cabra velha.

 

Bastante perto, visitamos ainda um belo exemplar das aldeias do xisto, a aldeia de Gondramaz, que remete a uma verdadeira viagem no tempo, ainda mais acentuada por estar de chuva e sermos os únicos a percorrerem as ruas naquele dia.

Recomendadíssimo e a repetir.

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Lagoa do Fogo, São Miguel, Açores

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A Lagoa do Fogo é um lugar espectacular, mas parecia que o destino não queria que o comprovássemos.

Na primeira vez em que tentamos lá ir, no nosso segundo dia de viagem, estava um nevoeiro terrível e não víamos um palmo à nossa frente. Acabaria por abrir à tarde, mas já tínhamos ido à outra ponta e decidimos não voltar para trás.

Na segunda, pior ainda. Íamos felizes da vida, com um sol espectacular a iluminar o nosso caminho quando, a seguir a uma curva, deparamo-nos com um carro parado na faixa contrária à nossa, a tirar fotos às vacas. Olhamos e comentamos um com o outro a parvoíce que aquilo era, e com essa distracção não vimos que havia outro carro parado, desta vez na nossa faixa, e embatemos neste com alguma violência, apesar de irmos a baixa velocidade.

Tirando o carro, que ficou com a frente completamente espatifada, a única de nós que sofreu algumas mazelas maiores foi a Carolina, que bateu com a cara no banco da frente e fez duas escoriações que lhe encheram de sangue, mas que felizmente não resultaram em nada de mais grave senão no enorme susto que apanhamos. O Francisco, depois do susto inicial, só se ria o tempo todo, como é de seu costume.

Apesar da falta de sorte, ficou mais uma vez demonstrada a simpatia e a prestabilidade do povo Açoriano; ao longo desta “aventura” todas as pessoas foram extremamente atenciosas, desde a própria família que estava no outro carro, até ao reboque, os bombeiros e toda a equipa que nos socorreu no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada.

Fica a lição de que as estradas de São Miguel, não parecendo, acabam por ser perigosas. Tem tão pouco movimento que deixam alguns condutores demasiado confiante, e são tão belas que deixam outros demasiado extasiados.

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Como somos uma família persistente e destemida, voltamos lá no dia seguinte e à terceira foi de vez! Valeu bem a pena, porque além da paisagem deslumbrante, nos arredores da lagoa temos também a Caldeira Velha, que é mais um local com águas termais onde podemos (e devemos!) ir a banhos, que apesar de combalida a Carolina insistiu muito para experimentar, e com razão. Mais uns banhos deliciosos, e em maior comunhão ainda com a natureza.

Tudo está bem quando acaba bem, em banho quente.

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Lagoa das Sete Cidades, São Miguel, Açores

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Esta é a maior Lagoa da Ilha de São Miguel e uma das imagens mais conhecidas dos seus cartões postais.

Além da dimensão e de toda a envolvente que a rodeia, o que a torna tão chamativa é a sua coloração dupla, com diferentes tons de azul e de verde separados por uma ponte de pedra.

Todo o caminho até lá chegar é extremamente belo, sendo que o miradouro mais famoso é o da Vista do Rei, que assim se chama por ter lá estado o Rei D. Carlos em 1901, em visita à ilha. Na Lagoa em si, é possível fazer canoagem, paddle surf e ver a todo o momento peixes enormes (trutas?) a dar saltos acrobáticos de um lado para o outro.

Tivemos aqui um momento quase mágico. Depois de muito passearmos e admirarmos a beleza envolvente, a Carolina começou a queixar-se que queria ir ao parque. Dissemos-lhe que iríamos à procura, mais numa de irmos embora, e decidimos entrar na freguesia de Sete Cidades, só para espreitar e dar meia volta para trás.

A freguesia, minúscula, tinha sim um parque infantil, extremamente bem cuidado, que lhe fez ganhar o dia, e a nós pontos.

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Furnas, São Miguel, Açores

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Furnas é um vilarejo bastante simpático, cujos principais motivos de interesse giram à volta da actividade vulcânica que possui. Essa actividade dá origem às fumarolas, que dá origem aos cozidos das furnas (já lá vamos), e ao aquecimento das águas que por lá correm.

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O primeiro banho quente que experimentamos foi o da Poça da Dona Beija, que tem um conjunto de piscinas pequeno, mas muito bem cuidado. À primeira vista a água parece quente demais (está à volta dos 30ºC), mas depois de entrar, é uma delícia. Foi uma boa surpresa especialmente para mim, que não sou grande fã de água muito quente, mas estar dentro destas piscinas aquecidas naturalmente tem qualquer coisa de diferente que sabe mesmo muito bem.

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Escolhemos de antemão o cozido do Restaurante Tony’s, que é dos mais falados por essa internet afora. Tivemos alguma sorte, pois cometemos o erro crasso de não fazer reserva e deparamo-nos com o restaurante cheio. Felizmente conseguiram acolher-nos num snack bar improvisado que fizeram junto ao terminal dos autocarros e para onde disponibilizam-se a levar a comida do restaurante, do outro lado da rua, onde até acabamos por ficar mais à vontade. O cozido em si é bom. “Só” bom, não é algo de extraordinário, mas também não sabia nada a enxofre, como já ouvi dizer, e a carne fica bastante tenra, por cozer tão lentamente. Todos gostamos.

Como comemos essa coisinha leve, partimos para banhos outra vez da parte da tarde, desta vez no Parque Terra Nostra. A piscina aqui não é tão límpida, mas é bastante ampla e sossegada, o que no conjunto é mais agradável. A envolvente do Parque também é algo de espectacular, com lagos e jardins cheios de cores, e vida animal a embelezá-los. A entrada é um bocado mais cara do que a média, mas na minha opinião vale a pena.

Um ponto obrigatório de passagem em São Miguel, e o meu preferido da nossa viagem.

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Ilha de São Miguel, Açores

Tínhamos receio que a segunda viagem de avião do Francisco fosse mais complicada que a anterior; afinal, ele já gatinha (quase/meio que anda), e tem dificuldade em ficar um minuto que seja parado. No final, foi bastante mais tranquilo do que esperávamos, com sestas grandes incluídas e tudo.

Mal aterramos a Carolina perguntou “mas já ‘tamos no Açores? eu não ‘tou a ver vacas!”, e a verdade é que não tardaria mesmo nada até que nos deparássemos com elas. O aeroporto João Paulo II é bem pequenino; mal saímos porta fora estamos no estacionamento, e mal saímos deste é vê-las pastar por tudo o que é enseada.

Alugamos carro na Ilha Verde, que tinha sido recomendada por um amigo e que confirmei ter dos preços mais baixos. Tive foi um choque inicial grande na entrega do carro: o rapaz que nos atendeu tinha um sotaque cerradíssimo, e foi mais complicado entendê-lo do que a alguns irlandeses ou indianos que já apanhei. Me senti verdadeiramente estrangeiro. Tive outro choque, mais literal, relacionado com o carro, mas já falo dele mais à frente.

Ilha Verde é um nome extremamente apropriado, pois essa é a cor que mais abunda por todo o lado. Chega a fazer impressão: parece que toda a ilha levou com um filtro de photoshop ou algo do género. É um lugar verdadeiramente belo, quase encantado, e de visita obrigatória para todos os que tenham oportunidade de fazê-lo. Especialmente os portugueses, que na ânsia de correr mundo esquecem-se que possuem no seu próprio país territórios maravilhosos. Da nossa parte, fica na lista conhecer as restantes oito ilhas do Arquipélago.

Não queria entrar em comparações com a Madeira porque além de não ser justo, a minha opinião será sempre tendenciosa, mas não consigo deixar de fazê-lo num ponto: as Lapas. Perdoem-me, mas as da Madeira são melhores! Maiores e mais tenras. Não deixam, no entanto, de escorregar muito bem, e em tudo o mais no quesito culinária os açorianos são fortes. Comi provavelmente os melhores bifes de atum da minha vida, bem como alguns espectaculares bifes de vaca, por preços que se podem considerar irrisórios, quando comparados com os “continentais”.

Podemos também dizer que os açorianos em geral são um povo bastante acolhedor e simpático para com os seus visitantes, fomos muito bem tratados em todo o lado.

Vou falar individualmente de alguns dos principais pontos de interesse nos próximos posts, que este já vai longo.

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Regresso

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Um ano e cinco meses depois, estamos de regresso a Portugal.

A verdade é que o sol faz falta,e a família toda gosta muito dele. Não nos víamos a passar mais um Inverno na Irlanda.

Não foi assim tanto tempo, mas foi bastante intenso. Só tenho a agradecer à Irlanda por tudo o que nos proporcionou e pelo carinho com que nos recebeu. Não me canso de elogiar os Irlandeses, por serem tão alegres e acolhedores, mesmo vivendo num país com um clima tão hostil. Um irlandês que se cruze contigo tem sempre uma piada para dizer, uma história para contar. Te pede desculpa por algo que não fez, e torna-se teu amigo de forma instantânea.

Na área da informática, em particular, diria que é um dos melhores mercados da Europa para se estar neste momento. Muito dinâmico, muita procura por gente qualificada, bons salários e condições de trabalho. Todas as empresas tecnológicas gigantes estão por lá e em força, devido aos incentivos fiscais que o governo proporciona. Enerva-me que Portugal e Lisboa em particular não enveredem por um caminho semelhante, mas isso são outros quinhentos.

Agradeço também obviamente à Ryanair, que foi quem me carregou para esta experiência. Nunca falei sobre a empresa no tempo em que lá estive porque estava contratualmente impedido de fazê-lo. É uma empresa diferente, irreverente, e com uma tremenda má fama na forma como lida com os seus funcionários, mas não o proveito. No meu caso, senti-me sempre bem tratado e respeitado, do primeiro ao último minuto, e saio com o meu trabalho valorizado.

Slán leat.

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Northern Ireland

Aproveitei uma nesga de bom tempo no passado fim-de-semana para conhecer finalmente o país do “lado” de cima aqui da República, a Irlanda do Norte.

O meu speed tour focou três dos pontos principais do país: a incontornável e outrora problemática capital, Belfast, a ponte de cordas conhecida como Carrick-a-Rede Rope Bridge, e o conjunto de rochas de basalto conhecido como Giant’s Causeway.

Utilizei pela primeira vez um dos autocarros verdes da Paddywagon Tours, que não me desapontou. O conceito é low cost mas os condutores (a julgar pelo que me guiou) são bastantes versados em história e em estórias.

A capital foi onde tive menos tempo para gastar, mas não é preciso vaguear muito para nos depararmos com uma boa quantidade dos célebres murais que a preenchem. Ainda que maioritariamente políticos, são quase todos muito belos, ou pelo menos interessantes do ponto de vista artístico. Cada canto de cada rua tem também alguma história escondida. Grande parte das vezes de sangue, infelizmente.

Segundo consta o novo museu do Titanic também é muito bom, mas o tempo escasseou para visitá-lo. Contentei-me em comprar uma t-shirt “TITANIC, built by Irishmen, sunk by an English man”.

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A ponte de cordas que liga Ballintoy à pequena ilhota de Carrick-a-Rede pode ser de facto assustadora (nunca morreu lá ninguém à parte de um pobre cão), mas bastante mais pequena do que as fotografias aparentam. Em compensação, a beleza envolvente é ainda mais surpreendente do que nas imagens. Num dia bom, e no sábado foi um desses raros dias, é possível ver a Ilha Ratlhin e parte da Escócia.

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Relativamente a Giant’s Causeway, segundo reza a lenda, o lugar foi erguido por um gigante chamado Finn MacCool, que por lá habitava com a sua mulher, Oonagh (leia-se Una). Esse gigante desafiou outro gigante, escocês, de seu nome Benandonner, para vir até ao seu terreno medir forças, fazendo o tal caminho de pedras para que o rival pudesse lá chegar. No entanto, quando este se aproximou, o irlandês apercebeu-se que afinal o escocês era bem maior do que ele julgava.

Basicamente o Finn MacCool ficou todo borrado, mas a sua bela Oonagh teve uma ideia: disfarçou-o com roupas de bebé e deitou-o na cama. O outro gigante, ao chegar e deparar-se com o suposto filho do MacCool daquele tamanho, julgou que se a criança era assim, o pai seria então o gigante dos gigantes, o pica das galáxias, e fugiu, destruindo durante a fuga o caminho por onde tinha lá chegado.

Obviamente a causa real foi a actividade vulcânica que por lá sucedia há milhões de anos atrás, mas a lenda gera boas conversas e muito merchandising.

Resumindo e concluindo, agora que os Troubles passaram e a paz tem imperado, vale muito pena conhecer este pedaço do Reino Unido, tanto pela beleza quanto pelo seu lado histórico.

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Andanças, Paternidade

Andar de avião com crianças

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É uma questão que me colocam e que vejo falada na Internet com bastante frequência: como é andar com um bebé, de avião? Mesmo que não perguntassem, basta ver a cara de pânico com que os passageiros à nossa volta olham para nós quando chegamos com a Carolina para perceber que é um assunto delicado.

Tenho alguma autoridade para falar sobre isso, pois já voei com crianças de 3, 4, 5 até 17 meses, em voos de meia, 2, 3, 4 e 10 horas. Obviamente essas “crianças” são sempre a mesma, mas em diferentes etapas de desenvolvimento, o que faz toda a diferença.

A primeira nota que faço é que tudo o que vou escrever aqui é para o nosso exemplo em particular e, como em tudo o que diga respeito a crianças, cada caso é um caso e aquilo que eu vou dizer pode não servir para nada com outras crianças. Mas creio que já ajuda ter uma base de comparação.

O meu primeiro conselho é: nada temam. Não há qualquer contra-indicação médica que impeça uma criança de voar, e qualquer doença que lhe aflija em viagem será, na maior parte dos casos, de fácil resolução em qualquer parte. É sempre bom estarmos munidos de termómetro, paracetamol, etc, mas esses itens existem em todo o mundo.

Segundo conselho: aproveitem. Na maior parte das companhias aéreas os descontos “a sério” para crianças só acontecem até aos dois anos de idade,  a partir daí pagam tanto ou quase tanto como um adulto. Não é preciso ser muito bom em matemática para ver que o preço de tirar férias no estrangeiro dispara drasticamente.

Daquilo que é a minha experiência, quanto mais a criança cresce nesta fase, mais complicado se torna viajar. Com dois a quatro meses sente-se bastante confortável no colo, e a coisa dá-se com relativa facilidade. Quando começa a crescer, gatinhar, andar, tornar-se mais ativa e mais curiosa com o que lhe rodeia, é mais difícil mantê-la sossegada durante horas.

Nesse sentido, aquilo que melhor funciona connosco é… tentar que ela durma. Sempre que possível, tentamos conjugar os voos com horários que sejam compatíveis com a hora da soneca dela, ou então o mais cedo possível; quando ela acorda mais cedo que o costume, o balanço do avião funciona como um soporífero que é tiro e queda. Em voos de longo curso, os voos overnight são a aposta. Se até nós nos cansamos rapidamente de estar encurralados tantas horas num avião, imaginem uma criança. Durmam!

Quando não há forma de conjugar os horários ou de conseguir que ela adormeça, há que fazê-la sentir-se o mais à vontade possível. Levar roupa confortável e que dê para adequar facilmente a qualquer temperatura (os ar-condicionados variam), levar alguns brinquedos do seu interesse para mantê-la distraída (os menos barulhentos possíveis para não incomodar os passageiros em pânico) e, claro, ir munido de mantimentos para mantê-la alimentada e hidratada (que também funciona como distração).

Relativamente a essa parte da alimentação/hidratação e às normas de segurança vigentes nos aeroportos atualmente: comida sólida passa à vontade pela segurança, os líquidos… varia. Tipicamente um passageiro só pode levar líquidos em embalagens de até 100ml na sua bagagem de mão, mas viajando com crianças há tolerância para isto. Essa tolerância pode é ser mais ou menos estrita consoante o aeroporto em que estejamos. Há aeroportos em que os seguranças vêem a criança e deixam passar à vontade, há outros em que levam os líquidos da criança para uma máquina especial à parte, outros ainda em que obrigam os pais a provar os líquidos para demonstrar que não pretendem matar ninguém com eles…

O que fazíamos quando a Carolina era mais pequena e bebia leite em pó era levar um termo vazio, e pedir nos restaurantes da zona de embarque para encher com água fervida; chegando ao avião e à hora da fome era só misturar. Poupava-nos tempo e paciência, e evitava também termos que pedi-lo no avião, às hospedeiras, pois beber água no avião não é recomendável (a não ser que venha duma garrafa selada, claro).

Se tudo isto falhar, e a criança fizer uma birra do tamanho do mundo durante o voo (o que também já aconteceu por estes lados), é manter a calma, respirar, apelar à criatividade, e esperar. O voo não dura para sempre, e a viagem há-de ter sempre momentos bem melhores para relevar esses percalços.

Fly safe.

photo credit: dolanh via photopin cc

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Andanças

Cliffs of Moher

Cliffs of Moher

Hoje foi dia do pai aqui na Irlanda e está acontecendo uma heatwave por aqui, que é como quem diz toda a temperatura que esteja acima dos 20 graus centígrados.

Para “comemorar” fomos conhecer um dos cartões de visita e quiçá o local mais bonito da República da Irlanda, o conjunto de falésias à beira-mar plantadas conhecidas como Cliffs of Moher, do outro lado da ilha, no condado de Clare. Ao longo dos seus 8 km de extensão, além das falésias podemos ver a baía de Galway, as montanhas de Connemara e as Aran Islands, estas últimas visitáveis de barco e onde quase só se fala Irlandês.

A região é efetivamente belíssima e o único senão é que, como ponto turístico reconhecido, está sempre repleto de gente, mas com um bocado de paciência e vontade de caminhar, dá para desfrutar da sua beleza, à vontade e com prazer.

Indo de carro e utilizando o estacionamento do Cliffs of Moher Experience (não há outra alternativa próxima) é cobrado um bilhete de 6€ por pessoa (gratuito para as crianças), mas há um truque: basta o motorista descarregar os restantes passageiros na entrada, um pouco mais atrás, e ir estacionar sozinho, que só paga um bilhete. Fica a dica.

Dormimos em Ennis, típica vila irlandesa, e a caminho de lá, na auto-estrada que liga Dublin a Limerick paramos numa estação de serviço chamada… Barack Obama Plaza. Sucede que de Moneygall partiu em 1850 para Nova Iorque um irlandês chamado Falmouth Kearney, nada menos que o tataravô do atual presidente Americano, que já lá esteve de visita bebendo Guinness e tudo. De lá para cá abriram esta estação de serviço e descerraram uma placa à entrada da vila assinalando-a oficialmente como “Barack Obama Ancestral Village”.

Um passeio excelente, com bastante que fica por explorar.

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Andanças, Pátria que me pariu

Brasil

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Vou deixar para depois a componente turística da nossa última viagem e descarregar parte do que ela despertou em mim, a nível sentimental e afetivo.

Desde 1998 que eu não ia ao país e à cidade que me viram nascer. Uma eternidade, e uma tristeza que me consumia anos após anos, aumentada e seguida de embaraço quando alguém me perguntava se costumava ir lá com frequência, ou qual tinha sido a última vez.

Nessa época, o Brasil tinha acabado de perder a Copa para a França, o país estava em clima de depressão económica e a Costa de Caparica era literalmente invadida por Brasileiros em busca de melhores condições de vida. Portugal tinha acabado de sediar a Expo 98, respirava aparente saúde financeira e estava a caminho da ilusão do Euro. Eu tinha 12 anos, e não sabia de nada, inocente.

Hoje a situação é quase diametral: Portugal enfrenta uma crise sem fim à vista, quase todos os brasileiros da Caparica regressaram às origens, o Brasil organizando a sua própria Copa e seguindo crescendo, ainda que com muito trabalho pela frente para poder confirmar o seu potencial. E eu, agora homem feito, pai, marido, um pouco menos inocente, mas ainda sem saber de nada.

Partimos no dia 21 de Abril e chegamos lá dia 22, curiosamente o mesmo dia em que os primeiros portugueses desembarcaram no Porto Seguro, em 1500. Por coincidência ou talvez não, o avião da TAP que nos transportou tinha precisamente o nome de Pedro Álvares Cabral.

Sabia que a emoção seria sempre imensa, mas as minhas expetativas foram largamente superadas, principalmente num ponto: nos seus quinze meses de vida, nunca vi a minha filha tão feliz. Se sentiu em casa. Não estranhou nada. Adorou a praia e água, adorou a comida, adorou a família, adorou as pessoas,  adorou a bagunça, adorou o sol.

Não vai se lembrar de nada disso, mas quero acreditar que de alguma forma ficará marcado nela e fará parte da pessoa que ela venha a ser. Sem entender onde estava nem pensar em quais eram a diferenças, se apaixonou, como tantos outros que lá chegaram antes dela. E é isso que define o Brasil. Essa capacidade de encantar, de entrar na pele, sem precisar de explicações ou de lógica e sentido.

Está longe de ser um país perfeito? Está. Tem um caminho enorme pela frente. Mas vale a pena percorrê-lo.

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