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Grécia – Santorini

Ao contrário de Naxos, de Santorini já tinha ouvido falar bastante e tinha definido como paragem obrigatória nesta passagem pela Grécia; há uns anos atrás trabalhei com um grego que me disse que se tivesse que escolher uma das “suas” ilhas para visitar que fosse esta. Assim o fizemos e não nos arrependemos: por mais turística e repleta de gente que esteja (que até nem foi o caso nesta altura), a ilha da Santa Irini é de uma beleza absolutamente arrebatadora, desde o primeiro momento em que lhe deitamos a vista.

O porto de Athinios (onde atracam os serviços de ferries) dá logo uma bela impressão do que virá a ser o resto: um pedacinho de asfalto encrustado num declive muito íngreme de rocha vulcânica cheia de cores (como em boa parte da ilha), de onde saímos após uma subida alucinante, cheia de curvas e contra-curvas e rasgos de belíssimos panoramas marítimos. Chegamos até ele através da Blue Star Ferries, depois da Hellenic Seaways ter dado banhada e cancelado os barcos em que era suposto chegarmos e partirmos.

Fora esta, qualquer viagem que se faça nesta ilha é uma oportunidade para ficar de boca aberta com os imensos pontos perfeitos para as fotografias: quando achamos que encontramos a melhor vista, andamos mais 20 minutos e já estamos em outra ainda melhor. Não há como não destacar Oia, sendo que fotos e palavras não chegam para descrever o quanto me surpreendi com esta vila: ia com um certo preconceito por achar que era um local muito “retocado” e demasiado polido para turista ver, mas é sem dúvida um dos locais mais bonitos onde já estive. Nota negativa apenas para a exploração que é feita aos burros: é uma atrocidade os animais passarem o dia a carregar turistas (e a levar paulada dos donos) por uma imensidão de escadas, apenas por graça, pois existem alternativas  (teleférico, carro… caminhadas!).

Optamos por ficar em Kamari, lugar de praia (de calhau, mas de água boa), próximo do aeroporto, bastante plano e com tudo ao pé. Ficamos no ApartHotel Zacharakis Studios, que seguia bastante a onda de hotel familiar do anterior, com um dono muito conversador e extremamente prestável.

Tivemos uma sorte mista com o clima nos dias em que lá estivemos: se por um lado não ter estado demasiado calor permitiu-nos não sofrer muito nos passeios que fizemos, ter havido chuva a sério e bastante vento no seguimento em um dos dias levou-nos a pensar que um dos nossos planos sairia frustrado: o de fazer um tour de barco pela ilha e pelo vulcão vizinho.

Felizmente a coisa melhorou e no nosso último dia tivemos direito a isso: os tours de barco não são propriamente baratos, mas valem muito a pena: temos perspectivas espectaculares da ilha, ficamos a conhecer melhor a sua história, paramos nos melhores (e mais isolados) sítios para saltar do barco e nadar e tipicamente incluem uma refeição preparada pela tripulação (o típico churrasco de souvlakis/espetadas e saladas, que cai sempre bem). Estivemos mesmo, mesmo para marcar com antecedência no getyourguide.com, mas o meu instinto levou-me a arriscar e marcar por lá e deu certo; saiu-nos por quase metade do preço (a tal lábia do dono do hotel levou-o a convencê-los a não cobrar nada pelas crianças quando ligou a fazer a marcação) um tour semi-privado (10 pessoas a bordo).

Por ser um local mais turístico, devo dizer que não comemos tão bem nesta ilha, mas há um sítio em Kamari que segue o conceito de Mezze (basicamente tapas/petiscos gregos) de uma forma espectacular: chama-se Pinakio, e garantam que façam uma reserva no dia anterior, porque à primeira tentativa batemos com a porta na cara. Bons petiscos, muito boa onda.

O regresso para Atenas teve que ser de avião, na Sky Express, num bi-motor ATR42. Combinando a confusão no aeroporto de Santorini (que é pouco mais do que um barracão), o atraso que o voo teve, a proximidade com a partida do voo de Atenas para Lisboa, o porte do avião e o vento que estava resultaram numa experiência… diferente e no mínimo interessante, para ter mais algo para contar, mas a bem do vosso coração, recomendo que marquem um barquinho e que seja com uma folga maior.

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Grécia – Naxos

Conforme tinha escrito no post anterior, queríamos desfrutar por alguns dias de um lugar mais calmo e com boas praias para torrar, e Naxos revelou-se uma escolha acertada nesse sentido. Confesso que nem sequer de nome conhecia esta ilha (a maior das Cíclades e, de acordo com a mitologia, onde Zeus nasceu) até há bem pouco tempo, mas descobri-a num site ao qual incontornavelmente vamos parar quando começamos a pesquisar sobre férias na Grécia: o do Santorini Dave.

Como o nome indica, ele é um apaixonado por Santorini mas não só, é um entusiasta de viagens em geral e da Grécia em particular, e a ilha que ele considera ser a mais “family friendly” é precisamente esta. Spot on. Chegamos até lá através de um ferry da Hellenic Seaways, numa viagem de mais ou menos quatro horas absolutamente tranquila, tanto pelo conforto do bicho quanto pelas facilidades a bordo (se forem em época baixa, como nós, paguem apenas a classe economy, porque depois deixam-vos sentar em qualquer lado), mas não recomendo esta companhia, pois cancelaram-nos os barcos de e para Santorini mesmo em cima da hora (no post sobre Santorini já falo sobre isto em mais detalhe).

As meras viagens de ferry entre ilhas são por si só passeios que valem a pena, pois obtém-se uma perspectiva bem interessante da “vizinhança” e da paisagem de várias delas, e o desembarque por via marítima tem todo um outro encanto que não existe no de via aérea.

Optamos por alugar carro na ilha, “orientado” pelo Stravos, o dono do nosso hotel, o Anatoli Hotel; é um hotel muito simples e familiar, com a família que o gere revelando simpatia e atenção extraordinárias. Diria que o carro não é absolutamente indispensável mas é bastante útil para explorar a ilha, que não é tão pequena quanto isso e, apesar de ter excelentes praias um bocado por todo o lado à mão de semear, tem as melhores em sítios mais ou menos distantes ou isolados a nível de transportes. Faz-se, mas com maior esforço.

Todas as praias são de águas calmas e areia “como deve ser” (ao contrário de outras ilhas com pedra/areia preta), com bastante espaço para estar à vontade e bem servidas de organização (chapéus, bares, restaurantes) quando assim convir; normalmente nem sequer se cobram pelos chapéus de sol, bastando consumir qualquer coisa nos bares de apoio, por mínima que seja. A nossa preferida foi sem sombra de dúvida Plaka; a limpidez, a temperatura da água e a vista para a ilha de Paros é em tudo semelhante às restantes, mas a calma e a envolvente em redor fazem a diferença. Agios Prokopios leva uma menção honrosa (e é a praia da foto que ilustra o post).

Tivemos bastante sorte com o clima, pois apanhamos sol e calor abrasador em todos os dias excepto num, e nesse aproveitamos para explorar um bocado mais a pé os meandros antigos da capital (Hora), que possui bairros muito interessantes do tempo em que estavam sobre domínio Veneziano (incluindo um castelo dessa era), a Portara, a porta do templo inacabado de Apolo, que tem mais de 2500 anos e é um bocado o ex-libris da ilha e das primeiras coisas em que reparamos ao lá chegar, e o vilarejo de Apollonas, do outro lado da ilha e que tem um recato um bocado menos turístico e ainda mais pacato.

Tenho que fazer menção a um restaurante, pois foi onde fomos jantar todas as quatro noites, sem excepção, o To Elliniko; por mais que quiséssemos experimentar outra coisa, a Carol ficou encantada com ele e quis lá voltar sempre, o que nunca aconteceu com nenhum restaurante que não o McDonalds, portanto aproveitamos a deixa e não contrariamos. Excelente ambiente (o restaurante é todo em esplanada ao ar-livre), dono e staff super-simpáticos e com pratos muito bons, dos quais destaco o Kleftiko (cabra nova no forno com legumes) e a tradicional Moussaka grega, que está disponível em todo o lado mas foi o sítio onde a achamos com melhor aspecto e estava divinal; a Moussaka é uma espécie de lasanha, mas com carne de borrego/carneiro e carregada com beringela e especiarias. Mais uma vez, aqui também se segue a tradição de trazerem sempre uma sobremesa incluída, ora gelado, ora melancia, ora outro doce qualquer que não percebemos o nome 🙂

O próximo porto foi o de Athinios, em Santorini, destino sobre o qual escreverei no próximo post.

 

 

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Grécia – Atenas

Este ano o nosso Verão começou na Grécia, nomeadamente na sua anciã capital, Atenas, e em duas das ilhas do arquipélago das Cíclades, Naxos e Santorini.

A Grécia tem imensas ilhas e o nosso objectivo passava por conhecer nesta viagem pelo menos duas delas; o racional foi tentar balancear entre uns dias de praia pura (Naxos) e outros mais de passeio e de calibre “paisagístico” (Santorini). Atenas seria sempre o ponto de conexão e um destino à partida interessante por si só, e foi por onde começamos.

Voamos directamente de Lisboa para Atenas pela companhia nacional Aegean Airlines, num voo red-eye que partiu pela meia-noite alfacinha e aterrou às seis da manhã locais, o que nos permitiu desfrutar de dois dias completos até ao nosso primeiro barco rumo à insularidade.

Confesso que não fiquei encantado com a capital grega. Atenas é um verdadeiro caos em todos os sentidos, a arquitectura não parece ter grande critério, parte da cidade está num estado de conservação duvidoso e, para piorar, o lixo é algo que abunda por todo o lado (dou o benefício da dúvida se teremos tido azar ou se será sempre assim).

Deixando de lado as partes más, o que efectivamente me agradou e surpreendeu foi a hospitalidade de todas as pessoas com que nos cruzamos, começando pelo nosso host do Air BnB que, além de ter um apartamento muito jeitoso (com um jacuzzi no terraço que depois de um dia de caminhada no calor infernal de Atenas é um verdadeiro oásis), forneceu-nos um mapa (em versão física e digital) com dicas muito boas, incluindo os locais recomendados para comer “like a local and not like a tourist“. Come-se (e bebe-se) extremamente bem e a preços razoáveis por aquelas bandas, sendo que algo que aprendi rapidamente foi a não pedir sobremesas ou digestivos, pois é algo que invariavelmente nos trazem como oferta no fim, por mais que insistamos que não.

A zona onde ficamos (Monastiraki) é bem pitoresca, uma amálgama de bairro tradicional, conjunto de feiras a céu aberto e onda hipster. De lá é possível apanhar facilmente o metro, que funciona bem e tem a parte interessante de possuir em várias suas estações relíquias e exemplares da Grécia Antiga.

Falar de Atenas e da Grécia Antiga é falar da Acropolis, o ex-libris da cidade e sem dúvida o seu merecido ponto alto. É sem dúvida de uma imponência impressionante, nota-se que aqui sim há um esforço de conservação e preservação notório, e merecia uma visita mais aprofundada da nossa parte, que fica para quando os miúdos tiverem paciência e pernas para tal.

Uma nota para uma caminhada filha da **** que fizemos com os putos às costas para chegar até ao teleférico de Mount Lycabettus: é sim senhor um sítio privilegiado para se ter uma boa vista sobre a cidade mas, na minha opinião, não deslumbra nem compensa o esforço (podem sempre ir de táxi).

Das ilhas falarei nos próximos posts.

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Parque Biológico da Serra da Lousã

A Lousã tem muito mais que se lhe diga, mas estivemos lá na primeira semana deste ano principalmente pelo seu Parque Biológico, em Miranda do Corvo.

Não conseguimos ver os animais todos, porque o espaço está a passar por algumas obras de renovação, mas chegou para ser uma experiência excelente para todos, especialmente para os pequenos, que adoraram o contacto com os animais e com a natureza.

O parque possui uma quantidade considerável de bichos em espaço livre (delimitado, obviamente), nomeadamente linces, lobos, dois ursos pardos, veados, javalis, cabras… sendo que com estas últimas podemos ter efectivo contacto directo e levar comida fornecida na entrada para comerem das nossas mãos.

Ficamos hospedados no Hotel Parque, que como o nome indica fica mesmo em frente e está relacionado com este. Impecável em todos os aspectos, com zonas de relax puro e muita coisa para a criançada se entreter, e um preço bastante razoável para a qualidade.

No restaurante Museu da Chanfana, que também é gerido pelo hotel, desfrutei da bela especialidade da casa; aqui falo no singular, porque fui o único lambão que apreciei aquele forte sabor a cabra velha.

 

Bastante perto, visitamos ainda um belo exemplar das aldeias do xisto, a aldeia de Gondramaz, que remete a uma verdadeira viagem no tempo, ainda mais acentuada por estar de chuva e sermos os únicos a percorrerem as ruas naquele dia.

Recomendadíssimo e a repetir.

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Lagoa do Fogo, São Miguel, Açores

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A Lagoa do Fogo é um lugar espectacular, mas parecia que o destino não queria que o comprovássemos.

Na primeira vez em que tentamos lá ir, no nosso segundo dia de viagem, estava um nevoeiro terrível e não víamos um palmo à nossa frente. Acabaria por abrir à tarde, mas já tínhamos ido à outra ponta e decidimos não voltar para trás.

Na segunda, pior ainda. Íamos felizes da vida, com um sol espectacular a iluminar o nosso caminho quando, a seguir a uma curva, deparamo-nos com um carro parado na faixa contrária à nossa, a tirar fotos às vacas. Olhamos e comentamos um com o outro a parvoíce que aquilo era, e com essa distracção não vimos que havia outro carro parado, desta vez na nossa faixa, e embatemos neste com alguma violência, apesar de irmos a baixa velocidade.

Tirando o carro, que ficou com a frente completamente espatifada, a única de nós que sofreu algumas mazelas maiores foi a Carolina, que bateu com a cara no banco da frente e fez duas escoriações que lhe encheram de sangue, mas que felizmente não resultaram em nada de mais grave senão no enorme susto que apanhamos. O Francisco, depois do susto inicial, só se ria o tempo todo, como é de seu costume.

Apesar da falta de sorte, ficou mais uma vez demonstrada a simpatia e a prestabilidade do povo Açoriano; ao longo desta “aventura” todas as pessoas foram extremamente atenciosas, desde a própria família que estava no outro carro, até ao reboque, os bombeiros e toda a equipa que nos socorreu no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada.

Fica a lição de que as estradas de São Miguel, não parecendo, acabam por ser perigosas. Tem tão pouco movimento que deixam alguns condutores demasiado confiante, e são tão belas que deixam outros demasiado extasiados.

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Como somos uma família persistente e destemida, voltamos lá no dia seguinte e à terceira foi de vez! Valeu bem a pena, porque além da paisagem deslumbrante, nos arredores da lagoa temos também a Caldeira Velha, que é mais um local com águas termais onde podemos (e devemos!) ir a banhos, que apesar de combalida a Carolina insistiu muito para experimentar, e com razão. Mais uns banhos deliciosos, e em maior comunhão ainda com a natureza.

Tudo está bem quando acaba bem, em banho quente.

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Lagoa das Sete Cidades, São Miguel, Açores

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Esta é a maior Lagoa da Ilha de São Miguel e uma das imagens mais conhecidas dos seus cartões postais.

Além da dimensão e de toda a envolvente que a rodeia, o que a torna tão chamativa é a sua coloração dupla, com diferentes tons de azul e de verde separados por uma ponte de pedra.

Todo o caminho até lá chegar é extremamente belo, sendo que o miradouro mais famoso é o da Vista do Rei, que assim se chama por ter lá estado o Rei D. Carlos em 1901, em visita à ilha. Na Lagoa em si, é possível fazer canoagem, paddle surf e ver a todo o momento peixes enormes (trutas?) a dar saltos acrobáticos de um lado para o outro.

Tivemos aqui um momento quase mágico. Depois de muito passearmos e admirarmos a beleza envolvente, a Carolina começou a queixar-se que queria ir ao parque. Dissemos-lhe que iríamos à procura, mais numa de irmos embora, e decidimos entrar na freguesia de Sete Cidades, só para espreitar e dar meia volta para trás.

A freguesia, minúscula, tinha sim um parque infantil, extremamente bem cuidado, que lhe fez ganhar o dia, e a nós pontos.

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Furnas, São Miguel, Açores

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Furnas é um vilarejo bastante simpático, cujos principais motivos de interesse giram à volta da actividade vulcânica que possui. Essa actividade dá origem às fumarolas, que dá origem aos cozidos das furnas (já lá vamos), e ao aquecimento das águas que por lá correm.

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O primeiro banho quente que experimentamos foi o da Poça da Dona Beija, que tem um conjunto de piscinas pequeno, mas muito bem cuidado. À primeira vista a água parece quente demais (está à volta dos 30ºC), mas depois de entrar, é uma delícia. Foi uma boa surpresa especialmente para mim, que não sou grande fã de água muito quente, mas estar dentro destas piscinas aquecidas naturalmente tem qualquer coisa de diferente que sabe mesmo muito bem.

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Escolhemos de antemão o cozido do Restaurante Tony’s, que é dos mais falados por essa internet afora. Tivemos alguma sorte, pois cometemos o erro crasso de não fazer reserva e deparamo-nos com o restaurante cheio. Felizmente conseguiram acolher-nos num snack bar improvisado que fizeram junto ao terminal dos autocarros e para onde disponibilizam-se a levar a comida do restaurante, do outro lado da rua, onde até acabamos por ficar mais à vontade. O cozido em si é bom. “Só” bom, não é algo de extraordinário, mas também não sabia nada a enxofre, como já ouvi dizer, e a carne fica bastante tenra, por cozer tão lentamente. Todos gostamos.

Como comemos essa coisinha leve, partimos para banhos outra vez da parte da tarde, desta vez no Parque Terra Nostra. A piscina aqui não é tão límpida, mas é bastante ampla e sossegada, o que no conjunto é mais agradável. A envolvente do Parque também é algo de espectacular, com lagos e jardins cheios de cores, e vida animal a embelezá-los. A entrada é um bocado mais cara do que a média, mas na minha opinião vale a pena.

Um ponto obrigatório de passagem em São Miguel, e o meu preferido da nossa viagem.

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Ilha de São Miguel, Açores

Tínhamos receio que a segunda viagem de avião do Francisco fosse mais complicada que a anterior; afinal, ele já gatinha (quase/meio que anda), e tem dificuldade em ficar um minuto que seja parado. No final, foi bastante mais tranquilo do que esperávamos, com sestas grandes incluídas e tudo.

Mal aterramos a Carolina perguntou “mas já ‘tamos no Açores? eu não ‘tou a ver vacas!”, e a verdade é que não tardaria mesmo nada até que nos deparássemos com elas. O aeroporto João Paulo II é bem pequenino; mal saímos porta fora estamos no estacionamento, e mal saímos deste é vê-las pastar por tudo o que é enseada.

Alugamos carro na Ilha Verde, que tinha sido recomendada por um amigo e que confirmei ter dos preços mais baixos. Tive foi um choque inicial grande na entrega do carro: o rapaz que nos atendeu tinha um sotaque cerradíssimo, e foi mais complicado entendê-lo do que a alguns irlandeses ou indianos que já apanhei. Me senti verdadeiramente estrangeiro. Tive outro choque, mais literal, relacionado com o carro, mas já falo dele mais à frente.

Ilha Verde é um nome extremamente apropriado, pois essa é a cor que mais abunda por todo o lado. Chega a fazer impressão: parece que toda a ilha levou com um filtro de photoshop ou algo do género. É um lugar verdadeiramente belo, quase encantado, e de visita obrigatória para todos os que tenham oportunidade de fazê-lo. Especialmente os portugueses, que na ânsia de correr mundo esquecem-se que possuem no seu próprio país territórios maravilhosos. Da nossa parte, fica na lista conhecer as restantes oito ilhas do Arquipélago.

Não queria entrar em comparações com a Madeira porque além de não ser justo, a minha opinião será sempre tendenciosa, mas não consigo deixar de fazê-lo num ponto: as Lapas. Perdoem-me, mas as da Madeira são melhores! Maiores e mais tenras. Não deixam, no entanto, de escorregar muito bem, e em tudo o mais no quesito culinária os açorianos são fortes. Comi provavelmente os melhores bifes de atum da minha vida, bem como alguns espectaculares bifes de vaca, por preços que se podem considerar irrisórios, quando comparados com os “continentais”.

Podemos também dizer que os açorianos em geral são um povo bastante acolhedor e simpático para com os seus visitantes, fomos muito bem tratados em todo o lado.

Vou falar individualmente de alguns dos principais pontos de interesse nos próximos posts, que este já vai longo.

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Regresso

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Um ano e cinco meses depois, estamos de regresso a Portugal.

A verdade é que o sol faz falta,e a família toda gosta muito dele. Não nos víamos a passar mais um Inverno na Irlanda.

Não foi assim tanto tempo, mas foi bastante intenso. Só tenho a agradecer à Irlanda por tudo o que nos proporcionou e pelo carinho com que nos recebeu. Não me canso de elogiar os Irlandeses, por serem tão alegres e acolhedores, mesmo vivendo num país com um clima tão hostil. Um irlandês que se cruze contigo tem sempre uma piada para dizer, uma história para contar. Te pede desculpa por algo que não fez, e torna-se teu amigo de forma instantânea.

Na área da informática, em particular, diria que é um dos melhores mercados da Europa para se estar neste momento. Muito dinâmico, muita procura por gente qualificada, bons salários e condições de trabalho. Todas as empresas tecnológicas gigantes estão por lá e em força, devido aos incentivos fiscais que o governo proporciona. Enerva-me que Portugal e Lisboa em particular não enveredem por um caminho semelhante, mas isso são outros quinhentos.

Agradeço também obviamente à Ryanair, que foi quem me carregou para esta experiência. Nunca falei sobre a empresa no tempo em que lá estive porque estava contratualmente impedido de fazê-lo. É uma empresa diferente, irreverente, e com uma tremenda má fama na forma como lida com os seus funcionários, mas não o proveito. No meu caso, senti-me sempre bem tratado e respeitado, do primeiro ao último minuto, e saio com o meu trabalho valorizado.

Slán leat.

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Northern Ireland

Aproveitei uma nesga de bom tempo no passado fim-de-semana para conhecer finalmente o país do “lado” de cima aqui da República, a Irlanda do Norte.

O meu speed tour focou três dos pontos principais do país: a incontornável e outrora problemática capital, Belfast, a ponte de cordas conhecida como Carrick-a-Rede Rope Bridge, e o conjunto de rochas de basalto conhecido como Giant’s Causeway.

Utilizei pela primeira vez um dos autocarros verdes da Paddywagon Tours, que não me desapontou. O conceito é low cost mas os condutores (a julgar pelo que me guiou) são bastantes versados em história e em estórias.

A capital foi onde tive menos tempo para gastar, mas não é preciso vaguear muito para nos depararmos com uma boa quantidade dos célebres murais que a preenchem. Ainda que maioritariamente políticos, são quase todos muito belos, ou pelo menos interessantes do ponto de vista artístico. Cada canto de cada rua tem também alguma história escondida. Grande parte das vezes de sangue, infelizmente.

Segundo consta o novo museu do Titanic também é muito bom, mas o tempo escasseou para visitá-lo. Contentei-me em comprar uma t-shirt “TITANIC, built by Irishmen, sunk by an English man”.

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A ponte de cordas que liga Ballintoy à pequena ilhota de Carrick-a-Rede pode ser de facto assustadora (nunca morreu lá ninguém à parte de um pobre cão), mas bastante mais pequena do que as fotografias aparentam. Em compensação, a beleza envolvente é ainda mais surpreendente do que nas imagens. Num dia bom, e no sábado foi um desses raros dias, é possível ver a Ilha Ratlhin e parte da Escócia.

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Relativamente a Giant’s Causeway, segundo reza a lenda, o lugar foi erguido por um gigante chamado Finn MacCool, que por lá habitava com a sua mulher, Oonagh (leia-se Una). Esse gigante desafiou outro gigante, escocês, de seu nome Benandonner, para vir até ao seu terreno medir forças, fazendo o tal caminho de pedras para que o rival pudesse lá chegar. No entanto, quando este se aproximou, o irlandês apercebeu-se que afinal o escocês era bem maior do que ele julgava.

Basicamente o Finn MacCool ficou todo borrado, mas a sua bela Oonagh teve uma ideia: disfarçou-o com roupas de bebé e deitou-o na cama. O outro gigante, ao chegar e deparar-se com o suposto filho do MacCool daquele tamanho, julgou que se a criança era assim, o pai seria então o gigante dos gigantes, o pica das galáxias, e fugiu, destruindo durante a fuga o caminho por onde tinha lá chegado.

Obviamente a causa real foi a actividade vulcânica que por lá sucedia há milhões de anos atrás, mas a lenda gera boas conversas e muito merchandising.

Resumindo e concluindo, agora que os Troubles passaram e a paz tem imperado, vale muito pena conhecer este pedaço do Reino Unido, tanto pela beleza quanto pelo seu lado histórico.

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