Leituras

Viva o Povo Brasileiro

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Os últimos acontecimentos no Brasil podem fazer isto parecer um título irónico, mas é simplesmente o nome de um excelente romance de João Ubaldo Ribeiro, de 1984, que percorre cerca de quatro séculos de história do país, desde a ocupação portuguesa (a narrativa começa em 1647) até final dos anos 1970.

Ubaldo Ribeiro dizia que uma das principais motivações para escrever um romance tão longo foi ter enraizado uma máxima que o seu pai costumava repetir: “livro que não fica em pé sozinho, não presta”.

Os factos reais da história do Brasil servem de pano de fundo para as estórias fictícias de diversas personagens e famílias, que se interligam umas às outras ao longo dos séculos das formas mais mirabolantes imagináveis.

Não há uma personagem principal, nem há apenas uma perspectiva ou uma verdade; há a verdade dos portugueses e a dos holandeses, a dos indígenas e a dos negros, que às tantas se misturam e vão mostrando as características que é costume associar ao “jeitinho brasileiro”, descascado e satirizado aqui de forma genial pelo autor.

Essa multiplicidade narrativa permite também olhar para a história do país sobre uma perspectiva bastante diferente daquela que aparece nos livros clássicos; o genial capítulo da Batalha de Tuiuti, por exemplo, em que é descrita a intervenção dos orixás do candomblé afro-brasileiro na vitória, apesar de ser pura fantasia, talvez se aproxime mais da verdade do que muitas descrições oficiais, na medida em que exalta o protagonismo dos afro-descendentes brasileiros, tantas vezes desconsiderados nos relatos oficiais.

Vale cada uma das suas 846 páginas.

Ilustração Edições Nelson de Matos

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Tecnologias

Downgrade BD ClearDB no Azure

Este blog (que diga-se de passagem já viveu melhores tempos no que diz respeito a actualizações de conteúdo) está alojado no Azure, associado a uma subscrição MSDN que eu tenho.

Apesar de não pagar nada pelo alojamento em si, utilizar um sistema (WordPress) que necessita de uma base de dados MySQL leva a que tenha que pagar uma mensalidade à Clear DB, que faz um hosting de base de dados integrado com Azure. Na verdade, poderia também configurar eu próprio uma máquina virtual no Azure com uma base de dados MySQL, mas dar-me-ia um bocadinho mais trabalho a mantê-la actualizada.

A ClearDB tem um plano gratuito (Mercury), mas é algo limitado; o plano default associado a web apps do azure é o Titan (3.50$ mensais), que para algo desta dimensão chega perfeitamente, mas em tempos precisei de mais espaço para umas experiências que andei a fazer e subscrevi um plano ainda superior, o Venus (10$ mensais).

Sucede que fazer upgrade de planos é muito simples e eficaz, bastando o clique de um botão, mas a possibilidade de fazer downgrade não é oferecida, de todo. Portanto, a volta que dei para fazê-lo foi a seguinte:

  1. Na área de administração do ClearDB, criei uma base de dados nova, com o plano que queria (titan)
  2. Ainda na área de administração do ClearDB, saquei as credenciais da base de dados que queria remover; é basicamente clicar na base de dados e mudar para a tab “endpoint information”
  3. Com o MySQL Workbench, liguei-me à base de dados que queria remover, fix export do schema e dos dados, liguei-me à nova base de dados, fiz import e está feito. Delete da antiga para fechar.

Depois disto foi conectar ao site e editar o ficheiro wp-config.php para utilizar as credenciais da nova base de dados. Ainda não tive paciência para perceber se consigo remover a antiga base de dados ou editar com os dados da nova no dashboard do Azure, mas não é algo que me chateie muito, ou pelo menos não tanto quanto pagar por algo que não estava a utilizar e cuja alteração é dificultada só para tentar sacar mais algum ao cliente.

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Cinemadas, Paternidade

À Procura de Dory

A minha primeira ida ao cinema foi tão memorável que sou o único da família a lembrar-me dela, apesar de ter, na altura, mais ou menos a idade que a Carolina tem agora. Fui ver os Tartarugas Ninja, de 1990, ainda no Brasil. Lembro que quando entrei na sala fiquei absolutamente embasbacado com o tamanho do ecrã, e que já na altura odiei o facto da minha mãe ter o péssimo hábito de falar muito durante todo o filme.

Faço esta introdução porque é a primeira vez que escrevo aqui sobre uma ida ao cinema em que o filme em si assume um papel secundário; o protagonismo aqui vai todo para o momento pelo qual eu esperava ansiosamente há mais de três anos: o primeiro contacto da Carol com a magia do cinema.

Não que o filme não seja bom, porque apesar de jogarem mais ou menos pelo seguro e a coisa acabar por pender mais para a rentabilização do franchise do que para o brilhantismo, a Pixar não desilude e consegue cumpre bastante bem o papel de entreter-nos, acrescentando pelo meio uma personagem que rouba completamente o protagonismo dos ditos principais: o polvo Hank.

Voltando à Carol, ainda antes dela nascer já eu imaginava como seria essa primeira vez no cinema, e se ia conseguir incutir-lhe ou não essa paixão. Obviamente que esta segunda parte ainda está por comprovar, mas valeu bastante a pena e espero que também lhe tenha ficado na retina.

Inicialmente ela quase nem pestanejava, num misto de perplexidade e desconfiança, motivada principalmente pelo turbilhão de trailers com que se deparou e que a levaram a perguntar mais que uma vez, quase em desespero: “então e a Dory?”.

Um dos nossos medos era que ela nem sequer aguentasse o filme até ao fim, mas apesar de a determinada altura ter ficado agitada, com o intervalo a coisa acalmou e trouxe ainda mais contentamento; à medida que o filme foi chegando ao clímax, ela foi se entusiasmando cada vez mais, dando aquelas sorrisos bem rasgados acompanhados de olhares de aprovação que confirmaram o sucesso da coisa e me fizeram ganhar o dia.

Agora é continuar a alimentar a chama e, mais uma vez, esperar ansiosamente que chegue também a vez do Francisco.

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Paternidade

Um Ano

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Faz hoje precisamente um ano que nos tornamos quatro. Tudo aquilo que vivemos facilmente se transforma numa aventura; nem sempre no bom sentido, mas cada vez faz mais sentido viver.

É óbvio que a chegada do segundo filho já nos encontra com mais estaleca no que à paternidade diz respeito, mas a realidade é que nunca estamos verdadeiramente preparados para tudo aquilo que vamos viver, e isso é fascinante.

O Francisco tem sido mestre em surpreender-nos praticamente desde que nasceu. Primeiro, na parte física, que em muito pouco ou nada se assemelha à irmã. Depois, em tudo o resto, onde as diferenças se tornam ainda mais vincadas. Um exemplo simples: comida. O que a Carolina encara como um sacrifício, ele mostra-se capaz de devorar este mundo e o outro. E por aí vai.

Mesmo com todo a logística que aumenta e com o descanso que escasseia (ainda mais), não há melhor presente para dar a uma criança do que um irmão, e o Francisco tem sido um irmão espectacular. Apesar de diferentes, eles são complementares e muito semelhantes na forma como nos desarmam e nos tem completamente nas mãos.

Talvez pela própria convivência com a mais velha, parece-nos que a desenvoltura dele tem evoluído com maior velocidade. É o chamado “fazer pela vida”. Ela alterna momentos de super-protecção em relação ao irmão com rasgos de ódio e de nunca mais o querer ver à frente. Ele consegue ser a criatura mais meiga do mundo e a mais bruta ao mesmo tempo; faz tudo com um sorriso enorme na cara, mas tão facilmente nos brinda com uma gargalhada quanto nos prega uma bofetada logo em seguida.

Costumamos dizer na brincadeira que ele é o último dos Cardosos. Do lado paterno, o meu avô teve quatro filhos, sendo dois deles homens e um destes o meu pai. O meu tio só concebeu meninas e, de homem, o meu pai só tem a mim.

Não tenho como prever o futuro, mas sinto que os Cardosos estarão sempre muito bem representados.

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Andanças

Lagoa do Fogo, São Miguel, Açores

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A Lagoa do Fogo é um lugar espectacular, mas parecia que o destino não queria que o comprovássemos.

Na primeira vez em que tentamos lá ir, no nosso segundo dia de viagem, estava um nevoeiro terrível e não víamos um palmo à nossa frente. Acabaria por abrir à tarde, mas já tínhamos ido à outra ponta e decidimos não voltar para trás.

Na segunda, pior ainda. Íamos felizes da vida, com um sol espectacular a iluminar o nosso caminho quando, a seguir a uma curva, deparamo-nos com um carro parado na faixa contrária à nossa, a tirar fotos às vacas. Olhamos e comentamos um com o outro a parvoíce que aquilo era, e com essa distracção não vimos que havia outro carro parado, desta vez na nossa faixa, e embatemos neste com alguma violência, apesar de irmos a baixa velocidade.

Tirando o carro, que ficou com a frente completamente espatifada, a única de nós que sofreu algumas mazelas maiores foi a Carolina, que bateu com a cara no banco da frente e fez duas escoriações que lhe encheram de sangue, mas que felizmente não resultaram em nada de mais grave senão no enorme susto que apanhamos. O Francisco, depois do susto inicial, só se ria o tempo todo, como é de seu costume.

Apesar da falta de sorte, ficou mais uma vez demonstrada a simpatia e a prestabilidade do povo Açoriano; ao longo desta “aventura” todas as pessoas foram extremamente atenciosas, desde a própria família que estava no outro carro, até ao reboque, os bombeiros e toda a equipa que nos socorreu no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada.

Fica a lição de que as estradas de São Miguel, não parecendo, acabam por ser perigosas. Tem tão pouco movimento que deixam alguns condutores demasiado confiante, e são tão belas que deixam outros demasiado extasiados.

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Como somos uma família persistente e destemida, voltamos lá no dia seguinte e à terceira foi de vez! Valeu bem a pena, porque além da paisagem deslumbrante, nos arredores da lagoa temos também a Caldeira Velha, que é mais um local com águas termais onde podemos (e devemos!) ir a banhos, que apesar de combalida a Carolina insistiu muito para experimentar, e com razão. Mais uns banhos deliciosos, e em maior comunhão ainda com a natureza.

Tudo está bem quando acaba bem, em banho quente.

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Andanças

Lagoa das Sete Cidades, São Miguel, Açores

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Esta é a maior Lagoa da Ilha de São Miguel e uma das imagens mais conhecidas dos seus cartões postais.

Além da dimensão e de toda a envolvente que a rodeia, o que a torna tão chamativa é a sua coloração dupla, com diferentes tons de azul e de verde separados por uma ponte de pedra.

Todo o caminho até lá chegar é extremamente belo, sendo que o miradouro mais famoso é o da Vista do Rei, que assim se chama por ter lá estado o Rei D. Carlos em 1901, em visita à ilha. Na Lagoa em si, é possível fazer canoagem, paddle surf e ver a todo o momento peixes enormes (trutas?) a dar saltos acrobáticos de um lado para o outro.

Tivemos aqui um momento quase mágico. Depois de muito passearmos e admirarmos a beleza envolvente, a Carolina começou a queixar-se que queria ir ao parque. Dissemos-lhe que iríamos à procura, mais numa de irmos embora, e decidimos entrar na freguesia de Sete Cidades, só para espreitar e dar meia volta para trás.

A freguesia, minúscula, tinha sim um parque infantil, extremamente bem cuidado, que lhe fez ganhar o dia, e a nós pontos.

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Andanças

Furnas, São Miguel, Açores

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Furnas é um vilarejo bastante simpático, cujos principais motivos de interesse giram à volta da actividade vulcânica que possui. Essa actividade dá origem às fumarolas, que dá origem aos cozidos das furnas (já lá vamos), e ao aquecimento das águas que por lá correm.

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O primeiro banho quente que experimentamos foi o da Poça da Dona Beija, que tem um conjunto de piscinas pequeno, mas muito bem cuidado. À primeira vista a água parece quente demais (está à volta dos 30ºC), mas depois de entrar, é uma delícia. Foi uma boa surpresa especialmente para mim, que não sou grande fã de água muito quente, mas estar dentro destas piscinas aquecidas naturalmente tem qualquer coisa de diferente que sabe mesmo muito bem.

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Escolhemos de antemão o cozido do Restaurante Tony’s, que é dos mais falados por essa internet afora. Tivemos alguma sorte, pois cometemos o erro crasso de não fazer reserva e deparamo-nos com o restaurante cheio. Felizmente conseguiram acolher-nos num snack bar improvisado que fizeram junto ao terminal dos autocarros e para onde disponibilizam-se a levar a comida do restaurante, do outro lado da rua, onde até acabamos por ficar mais à vontade. O cozido em si é bom. “Só” bom, não é algo de extraordinário, mas também não sabia nada a enxofre, como já ouvi dizer, e a carne fica bastante tenra, por cozer tão lentamente. Todos gostamos.

Como comemos essa coisinha leve, partimos para banhos outra vez da parte da tarde, desta vez no Parque Terra Nostra. A piscina aqui não é tão límpida, mas é bastante ampla e sossegada, o que no conjunto é mais agradável. A envolvente do Parque também é algo de espectacular, com lagos e jardins cheios de cores, e vida animal a embelezá-los. A entrada é um bocado mais cara do que a média, mas na minha opinião vale a pena.

Um ponto obrigatório de passagem em São Miguel, e o meu preferido da nossa viagem.

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Andanças

Ilha de São Miguel, Açores

Tínhamos receio que a segunda viagem de avião do Francisco fosse mais complicada que a anterior; afinal, ele já gatinha (quase/meio que anda), e tem dificuldade em ficar um minuto que seja parado. No final, foi bastante mais tranquilo do que esperávamos, com sestas grandes incluídas e tudo.

Mal aterramos a Carolina perguntou “mas já ‘tamos no Açores? eu não ‘tou a ver vacas!”, e a verdade é que não tardaria mesmo nada até que nos deparássemos com elas. O aeroporto João Paulo II é bem pequenino; mal saímos porta fora estamos no estacionamento, e mal saímos deste é vê-las pastar por tudo o que é enseada.

Alugamos carro na Ilha Verde, que tinha sido recomendada por um amigo e que confirmei ter dos preços mais baixos. Tive foi um choque inicial grande na entrega do carro: o rapaz que nos atendeu tinha um sotaque cerradíssimo, e foi mais complicado entendê-lo do que a alguns irlandeses ou indianos que já apanhei. Me senti verdadeiramente estrangeiro. Tive outro choque, mais literal, relacionado com o carro, mas já falo dele mais à frente.

Ilha Verde é um nome extremamente apropriado, pois essa é a cor que mais abunda por todo o lado. Chega a fazer impressão: parece que toda a ilha levou com um filtro de photoshop ou algo do género. É um lugar verdadeiramente belo, quase encantado, e de visita obrigatória para todos os que tenham oportunidade de fazê-lo. Especialmente os portugueses, que na ânsia de correr mundo esquecem-se que possuem no seu próprio país territórios maravilhosos. Da nossa parte, fica na lista conhecer as restantes oito ilhas do Arquipélago.

Não queria entrar em comparações com a Madeira porque além de não ser justo, a minha opinião será sempre tendenciosa, mas não consigo deixar de fazê-lo num ponto: as Lapas. Perdoem-me, mas as da Madeira são melhores! Maiores e mais tenras. Não deixam, no entanto, de escorregar muito bem, e em tudo o mais no quesito culinária os açorianos são fortes. Comi provavelmente os melhores bifes de atum da minha vida, bem como alguns espectaculares bifes de vaca, por preços que se podem considerar irrisórios, quando comparados com os “continentais”.

Podemos também dizer que os açorianos em geral são um povo bastante acolhedor e simpático para com os seus visitantes, fomos muito bem tratados em todo o lado.

Vou falar individualmente de alguns dos principais pontos de interesse nos próximos posts, que este já vai longo.

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Teatradas

Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 minutos

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Tinha muita curiosidade em assistir a este espectáculo, pois assim que li o título achei que resumir todos os musicais do Chico Buarque seria um desafio extremamente difícil, e que tinha tudo para dar errado.

Não deu, mas também não deu propriamente certo. Para começar, ao contrário do que o título indica, não está presente nenhum dos musicais, mas sim algumas das suas músicas, o que é bem diferente. E no fundo é disso que se trata, de um desfilar de músicas, quase um concerto de homenagem. Há uma tentativa de ter uma história como pano de fundo, mas tão dispersa que não chega a ser um verdadeiro fio condutor.

O elenco atenua um pouco a desilusão, sendo todos bons cantores e empregando excelentes interpretações em quase todas as canções, mas depois de ver a forma arrebatadora como a Izabela Bicalho se entregou a “Gota de Água” há uns anos, fica difícil se emocionar com menos.

O espectáculo tem o mérito de ter escolhas arriscadas, com algumas canções menos conhecidas (Mambembe, Você vai me seguir, Funeral de um lavrador) e interpretações inesperadas (“O meu amor” cantado por dois homens, por exemplo), mas depois acaba por ser demasiado ambicioso e esticar a corda a nível temporal, com prolongamento e penáltis a somar aos tais 90 minutos, tornando-se muito desgastante.

Nesse aspecto do desgaste, a arena do Campo Pequeno acaba por ajudar, com cadeiras miseráveis na improvisada plateia e um frio de rachar durante todo o tempo. Mandrake Produções, agradeço e peço que tragam mais musicais, por favor, mas encaixem-nos em teatros a sério, que merecem.

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Paternidade

Três anos

Há três anos atrás nascia aquela que é hoje “a minha mais velha”, e nada me proporciona maior orgulho do que ver como ela evoluiu desde então.

Obviamente nem tudo são rosas. Este período entre os dois e os três anos foi definitivamente o mais desafiante até agora. A maior compreensão de tudo o que lhe rodeia conjugada com a capacidade de argumentar e o crescimento exponencial da vontade própria são uma combinação explosiva, materializada frequentemente nas mais poderosas birras. Há que saber aguentar e aprender a lidar com elas, pois tão depressa aparecem quanto passam. Mas moem!

Ainda se atrapalha com algumas palavras, mas em geral tem já um vocabulário muito rico. Não podemos nos descuidar um segundo na sua presença, pois absorve tudo com uma facilidade incrível. Basta ouvir uma vez para entrar no seu repertório. De vez em quando surpreendemo-nos (apesar de tentarmos não demonstrá-lo) com uma ou outra asneira que apanha no ar. Já a vi, por exemplo, a dizer “benfica”.

Tenta ser o mais independente possível, e gaba-se com muito ênfase quando não precisa de nós para alguma coisa, seja vestir, montar um puzzle ou simplesmente meter o cinto de segurança no carro.

Desde sempre soube manipular-me, mas tem aprimorado com cada vez mais requinte essa arte. É “minha fofurinha” para aqui, “meu pai lindo amor” para ali, “somos muito amigos não somos pai?” acolá, e é ver o idiota derreter-se todo a seus pés. Fácil.

Está a 200% na fase dos porquês. Dá-me muito prazer puxar pela sua imaginação e tentar responder a todos até à exaustão, mas na maior parte das vezes acaba por ser do meu lado que esta aparece. Agrada-me que ela questione tudo, e espero que mantenha o hábito para o resto da vida (na devida proporção).

Se me estiveres a ler daqui a uns anos, espero que tenhas mantido também viva a curiosidade, o sentido de humor e a vontade de viver tudo intensamente. E que me continues a ter em conta como um amigo.

Obrigado, por acrescentares vida aos anos que passam.

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